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Marcha da Maconha teve de ser assegurada por Salvo Conduto, devido à intolerância

9 de May de 2009 2,028 views 9 Comentários
Poucas pessoas sabem, mas por pouco não tivemos uma Marcha da Mordaça em Porto Alegre. O ódio ou o preconceito contra maconheiros e maconheiras acabam de receber um tapa de luva.

Se dependêssemos de parte da mídia gaúcha e das autoridades, esta seria
a “liberdade de expressão” que teríamos em Porto Alegre.


Enquanto boa parte da mídia gaúcha noticiava a Marcha como “polêmica” e a trazia para as páginas policiais, coronéis e promotores estavam afirmando publicamente que “liberariam” a Marcha (como se coubesse a eles nos dar um direito que a Constituição já nos garante). Ao mesmo tempo, diziam que iriam reprimir “toda e qualquer manifestação de incitação ao uso indevido de drogas” – incluindo-se a faixa com o próprio nome do evento, e desenhos de folhas verdes.

No entender de parte da mídia gaúcha e das autoridades, estas
seriam imagens perigosíssimas à sociedade.

Wianey Carlet, colunista do jornal Zero Hora, com grande lucidez afirmou na sua coluna deste sábado quão tênues eram tais limites, e quão desmedidas as ameaças. Principalmente diante de tantos outros crimes hipotéticos de maior potencial ofensivo do que esta manifestação, com a sua confirmação da existência de pessoas que usam maconha. Citamos, como exemplo ao acaso, as denúncias de Caixa 2 rondando a campanha da governadora Yeda.

Infelizmente, diante da incerteza quanto à segurança de cidadãos e cidadãs que estariam hoje manifestando pacificamente suas opiniões, tivemos de recorrer à justiça.

Segue aqui, em terceira mão, a muito bem fundamentada decisão do desembargador Nereu José Giacomolli, sobre pedido impetrado pelo advogado Marcelo Mayora e pela advogada Mariana Garcia. Confiram o salvo conduto que nos garantiu, hoje, que esta manifestação inegavelmente pacífica transcorresse sem abusos pela interpretação da lei:


Foi interessante ver como é que, uma vez respeitada a Constituição, os desenhos de folhas verdes automaticamente deixaram de representar perigo à sociedade, para parte da mídia. Por sua vez, os comandantes da Brigada Militar lá presentes nos falaram de sua sincera aprovação do salvo conduto, demonstrando sensatez em simpatizarem com a abordagem não-ofensiva. Comentaram brevemente conosco sobre o fato de policiais também serem vítimas da Guerra às Drogas. Enfim, tivemos um diálogo que provavelmente reportagem nenhuma iria desejar mostrar: a pacífica convivência de idéias entre defensores da legalização das drogas e policiais em serviço.

Didaticamente, na decisão oficiada ao Comando de Policiamento da Capital, para o Coronel Jones Calixtrato Barreto, nos ensina o desembargador Nereu José que “crimes de apologia” só poderiam existir, em uma Marcha da Maconha, se por acaso a organização do evento louvasse explicitamente alguém que tivesse usado drogas.
A Marcha da Maconha em Porto Alegre (também chamada em alguns cartazes de Marcha da Família Consciente) foi um sucesso, com aproximadamente 500 pessoas, sem qualquer tipo de delito – e sob o olhar de meia dúzia de “manifestantes contrários”, que a mídia mostrou com exaustão, mas dos quais, por algum motivo, não lembramos direito.

A não ser por duas pessoas, que acharam a Marcha “um absurdo”, mas recusaram com veemência o convite à segurar uma bandeirola com a palavra PAZ.

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9 Comentários »

  • Abdul Khalid Ansari disse:

    Ótimo texto, resume bem as dificuldades que aconteceram pra realização da marcha.
    Parabéns ao coletivo princípio ativo.

  • Marcelo F. disse:

    Parabéns aos organizadores do evento…

  • soñando disse:

    Muito massa! Espero que no ano que vem tenha mais pais de família, acho que falta essa imagem mais “padronizada” pra que a mídia dê mais atenção e legitimidade à nossa causa. Participava das primeiras reuniões do Princípio Ativo em 2007 e fico muito feliz de ver a marcha acontecendo finalmente. Abraços!

  • Marcelo Sizer disse:

    Percam o medo, mostrem a cara! Quem não faz nada de errado não tem por que ter medo!

    Entrem pra luta porque ela é de todos nós!

    Parabéns a todos pelo sucesso da Marcha da Maconha!

  • Dênis Petuco disse:

    Marcelo, Rafa, leo e outros que eu não pude conhecer: parabéns a todos vocês. Vocês são os caras!

    [ ]s

  • Ely disse:

    Parabéns aos organizadores do evento. Bela iniciativa.

  • Marcelo Mayora disse:

    Aqui está o que de fato ocorreu na semana que antecedeu a Marcha. Enfim, foi bem interessante deixar nua toda a intolerância e falsidade da BM, a hipocrisia do MP e a conduta interesseira, direcionada e absolutamente contra a ética do jornalismo que a RBS adotou.

    Saudações ao Desembargador Nereu Giacomoli. Decisões como a dele renovam as esperanças.

  • S.gota disse:

    Muito bacana a iniciativa!
    Ainda bem que vivemos onde existe a democracia, uma Porto Alegre em que ideias e ideais ‘marcham’ lado a lado (sei que por pouco não aconteceu a marcha…mas mesmo assim exalto a visão e coragem que Porto Alegre sempre ostentou em relação a opiniões adversas!)
    Conifio na nossa Brigada e fumo meu baseado, sonho com a discriminação da maconha!

    Abraços!

  • Fernanda Billy disse:

    muito boa iniciativa, ano que vem tem que ter denovo….

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